Projetado desde a década de 1970, o Arco Metropolitano foi idealizado como um fator estratégico para o desenvolvimento socioeconômico do Estado do Rio de Janeiro. A infraestrutura viária, prometia melhorar a logística de escoamento da produção industrial, conectar municípios da Baixada Fluminense e impulsionar investimentos na região. No entanto, mais de uma década após sua inauguração parcial, muitos dos objetivos iniciais ainda não foram alcançados.
O Arco Metropolitano foi pensado para interligar nove municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, facilitando a conexão entre o Complexo Petroquímico da Petrobras (Comperj), em Itaboraí, e o Porto de Itaguaí, na Baía de Sepetiba. A obra, cujo orçamento inicial foi de R$ 796,8 milhões, sofreu atrasos e teve custos elevados ao longo da construção, atingindo R$ 2 bilhões na inauguração parcial em 2014. Hoje o Arco liga as cidades de Itaboraí, Guapimirim, Magé, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Queimados, Japeri, Seropédica e Itaguaí, totalizando 145 km.

De acordo com o Plano Diretor do Arco Metropolitano (PDAM), o projeto deveria fomentar o desenvolvimento sustentável da região, estimulando investimentos públicos e privados que poderiam ultrapassar R$ 59 bilhões. No entanto, os impactos ambientais, urbanísticos e sociais foram subestimados ou negligenciados na implementação do projeto.
Impactos Ambientais e Patrimoniais
Durante a abertura de áreas para a estrada, foram identificadas espécies ameaçadas de extinção, como a rã Physalaemus soaresi e o peixe Notholebias minimus. Para mitigar o impacto, o Estado do Rio de Janeiro destinou R$ 12 milhões à construção de uma ponte sobre um lago para preservar o habitat desses animais.

Além dos danos ambientais, a obra revelou sítios arqueológicos ao longo de 72 quilômetros do traçado. Foram encontrados vestígios que datam desde o período pré-histórico até a era colonial, incluindo peças de cerâmica, urnas funerárias e cachimbos africanos. Dos 22 sítios descobertos, 14 estavam diretamente no trajeto da rodovia e apenas um pôde ser preservado. O restante foi removido para dar lugar à estrada.
Problemas na infraestrutura, segurança e com a corrupção
Entre as promessas não cumpridas estão a segurança, a iluminação por energia solar e a fluidez do trânsito. A rodovia, que deveria aliviar congestionamentos nas principais vias do estado, apresenta trechos deteriorados e problemas estruturais. Além disso, a falta de segurança tornou-se um dos principais desafios.
Uma reportagem do Jornal Nacional aponta que, devido ao abandono da rodovia, postes de iluminação solar instalados ao longo do percurso foram alvo de furtos. Em 2017 e 2018, mais de 200 postes foram derrubados, comprometendo a visibilidade e aumentando os riscos de acidentes e assaltos. Já os dados da Firjan de um relatório apresentado em fevereiro de 2024, revela o aumento de 4% nos roubos de carga no Arco Metropolitano em 2023, enquanto no estado do Rio de Janeiro a taxa diminuiu em 24%.

O projeto também foi alvo da Operação Lava-Jato, que investigou fraudes em licitações, formação de cartel e pagamento de propina a agentes públicos. Entre os envolvidos, o ex-governador Sérgio Cabral foi condenado por irregularidades no processo de construção da rodovia.
Resposta da EcoVias Rio Minas
Em 2022 a administração da via foi concedida a Ecovias Rio Minas, antiga Eco Rio Minas, que prometeu fazer as melhorias necessárias na via. Em resposta ao BRAVA, a concessionária esclareceu o que já foi implementado e o que está em planejamento.
“Nos últimos anos, realizamos uma série de melhorias no pavimento, incluindo recuperação funcional e revitalização da sinalização horizontal. Também instalamos novas placas de sinalização vertical para aprimorar a orientação e regulamentação no Arco Metropolitano. Além disso, implementamos diversos dispositivos de segurança viária e revitalizamos todas as pontes existentes nos dois primeiros anos da concessão.
Seguindo nosso compromisso com a modernização da rodovia, temos planejada a implementação de iluminação, fibra óptica e um sistema de monitoramento mais avançado – com câmeras para acompanhamento em tempo real e detecção de incidentes. Essas melhorias estão em fase de planejamento e serão implementadas progressivamente”.

Desafios e Perspectivas
Apesar das expectativas de desenvolvimento, a rodovia ainda não trouxe os benefícios esperados para os municípios que atravessam. O abandono, a falta de manutenção e a insegurança afastam investimentos e comprometem o potencial da infraestrutura.

Os desafios para o futuro incluem a recuperação da iluminação pública, a ampliação da segurança e a conclusão dos trechos inacabados. Com o histórico de atrasos, custos elevados e investigações de corrupção, o Arco Metropolitano segue como um exemplo das dificuldades enfrentadas em grandes obras de infraestrutura no Brasil. A promessa de desenvolvimento permanece, mas a realidade impõe desafios que, até hoje, aguardam soluções.
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