Baixada amplia força política nas urnas e emplaca nomes entre os mais votados do Rio

Os deputados federais e estaduais mais votados da Baixada Fluminense

A Baixada Fluminense saiu das urnas neste domingo (4) com motivos para reivindicar mais espaço na política estadual. O deputado federal mais votado do Rio de Janeiro é da região: Dr. Luizinho (PP), de Nova Iguaçu, chegou a 213.904 votos. Na disputa pela Assembleia Legislativa (Alerj), Márcio Canella (União), de Belford Roxo, conquistou 197.178 votos e terminou como o segundo deputado estadual mais votado do estado.

Os dois resultados ajudam a dimensionar a força eleitoral da Baixada em 2026, mas não contam toda a história. A região também garantiu mandatos com bases fortemente concentradas em cidades como Duque de Caxias, Magé, Mesquita e São João de Meriti. Em alguns casos, o desempenho dentro de um único município respondeu pela maior parte da votação que levou o candidato ao mandato.

Dr. Luizinho é um exemplo de candidatura que ultrapassou as fronteiras do próprio reduto. Embora tenha liderado em Nova Iguaçu, com 77.048 votos, sua votação se espalhou pela região. Foi segundo colocado em Mesquita, Nilópolis, Japeri, Paracambi e Queimados e ainda apareceu entre os mais votados em outros municípios. Somados, os 13 municípios da Baixada deram mais de 117 mil votos ao deputado.

Já Márcio Canella teve uma votação muito mais concentrada em sua base. Dos 197.178 votos conquistados no estado, 133.956 saíram de Belford Roxo. Mais da metade dos eleitores da cidade que votaram para deputado estadual escolheram Canella. Considerando toda a Baixada, foram cerca de 178,5 mil votos, mais de 90% de sua votação estadual.

Caxias mantém uma das maiores bancadas da região

Se Belford Roxo produziu uma votação concentrada, Duque de Caxias mostrou outra característica: a capacidade de eleger vários nomes.

Gutemberg Reis (MDB) foi o federal mais votado da cidade, com 96.477 votos, e terminou a eleição com 145.876. Marcos Tavares (PDT), também eleito, recebeu 43.876 votos em Caxias de um total de 69.438. Aureo Ribeiro (Solidariedade) veio logo atrás, com 33.962 votos no município.

Na Alerj, Rosenverg Reis (MDB) liderou em Caxias com 90.348 votos. Serginho (PDT) teve 39.165, enquanto Marcelo Dino (PL) recebeu 35.283. Os três foram eleitos.

Serginho, Marcos Tavares e Marcelo Dino

É um resultado que mantém Caxias como um dos principais polos políticos da Baixada. Diferentemente de cidades onde um nome praticamente monopolizou a votação, o eleitorado caxiense conseguiu sustentar diferentes candidaturas competitivas.

Magé, Mesquita e Meriti garantem seus nomes

Outras cidades também conseguiram converter força municipal em mandato.

Em Magé, Renato Cozzolino (PP) recebeu 48.208 votos para deputado federal, mais da metade dos 84.516 que conquistou no estado. Para a Alerj, Vinícius Cozzolino (PSD) fez 34.224 votos no município e terminou a eleição com 49.353. A família Cozzolino, portanto, sai das urnas com representação nas duas casas.

Renato e Vinicius Cozzolino (Foto: Divugalção)

Mesquita teve Jorge Miranda (PL) como campeão para federal, com 32.844 votos, e Renato Miranda (PL) para estadual, com 27.537. Os dois foram eleitos.

Jorge e Renato Miranda (Foto: Reprodução)

Em São João de Meriti, o PSDB conseguiu resultado semelhante. Luciano Vieira liderou para deputado federal com 50.353 votos e Léo Vieira Filho foi o mais votado para estadual, com 51.262. Ambos conquistaram mandato.

Luciano Vieira, Léo Vieira e Léo Vieira Filho (Foto: Reprodução)

Nova Iguaçu, além de Dr. Luizinho, também foi fundamental para a eleição de Felipinho Ravis (PP), que recebeu 60.448 votos na cidade, e Carlinhos BNH (PP), com 42.017. Os dois foram eleitos para a Alerj. O desempenho ajuda a explicar por que o PP aparece entre os partidos mais fortes da eleição na Baixada.

Felipinho Ravis e Carlinhos BNH

Nem toda liderança local virou mandato

O mapa eleitoral também revela o outro lado da disputa. Em algumas cidades, o candidato mais votado não conseguiu transformar a liderança local em cadeira.

Foi o que aconteceu na disputa federal em Japeri, onde Tiago Careca (PSDB) liderou com 5.624 votos; Paracambi, com Dr. Flávio (PL), 4.881; Queimados, com Max (União), 11.603; e Seropédica, com Isabel Ribeiro (PP), 8.188.

Na eleição estadual, Itaguaí teve Gil Torres (Avante) na primeira colocação, mas sem mandato. Em Japeri, Carol Ontiveros (PT) liderou e ficou na suplência. O mesmo ocorreu com Cris Kaizer (PSD), primeira colocada em Queimados, e Paula Quintanilha (PL), em Seropédica.

Nilópolis merece uma leitura à parte. Ricardo Abrão (PSDB) foi o federal mais votado na cidade, com 19.749 votos, mas aparece na totalização como não eleito, com os votos anulados sub judice. Para estadual, Rafael Nobre (União) liderou com 25.310 votos e foi eleito.

PL cresce, mas PP leva o maior prêmio

Partidariamente, a eleição também deixou sinais importantes. O PL foi a legenda com maior presença entre os deputados eleitos pelo Rio e conseguiu espalhar candidatos competitivos por praticamente toda a Baixada. O partido venceu a disputa federal em Mesquita, com Jorge Miranda, e colocou diferentes nomes entre os primeiros colocados em vários municípios.

O PP, porém, ficou com um dos principais troféus da eleição: Dr. Luizinho como deputado federal mais votado do Rio. Além disso, fez o primeiro e o segundo colocados para a Alerj em Nova Iguaçu, com Felipinho Ravis e Carlinhos BNH, e elegeu Renato Cozzolino com forte votação em Magé.

União, MDB, PDT e PSDB também saem fortalecidos em redutos específicos. O União tem em Márcio Canella sua principal força regional; MDB e PDT mantiveram espaço importante em Duque de Caxias; e o PSDB garantiu os dois campeões de votos de São João de Meriti.

O resultado deixa, portanto, dois mapas diferentes da Baixada. Há cidades que conseguiram eleger lideranças diretamente identificadas com seus territórios e outras que distribuíram seus votos entre candidatos de fora ou apostaram em nomes que ficaram sem mandato.

Mas o saldo geral mostra uma região longe de ser apenas coadjuvante na eleição fluminense. A Baixada colocou o deputado federal mais votado do Rio, o segundo deputado estadual mais votado e foi decisiva para a eleição de uma série de parlamentares. O desafio, a partir de agora, será saber quanto desse peso eleitoral será convertido em peso político nos próximos quatro anos.

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