A Unidos da Ponte encerrou a segunda noite da Série Ouro já sob a luz do dia. Foi a única escola do grupo a desfilar com a Sapucaí completamente iluminada pelo sol, o que mudou a atmosfera da apresentação. Se parte dos efeitos pensados para a noite perdeu força com a claridade, a escola soube aproveitar o cenário para reforçar as cores e a vibração do enredo “Tamborzão – O Rio é Baile! O Poder é Black”.

A proposta foi direta: tratar o funk como herança, como linguagem cultural e como continuidade de uma tradição negra que atravessa o tempo. O desfile percorreu o caminho da noite ao amanhecer, simbolizando que o baile não termina quando o relógio marca o fim da madrugada.

A Ponte apostou em uma apresentação leve e popular. A comunidade de São João de Meriti respondeu com canto forte, mesmo depois das seis da manhã, sustentando o samba do início ao fim. O carro de som conduziu a escola com segurança, ajudando a manter o clima alto-astral que marcou toda a passagem pela Avenida.

Visualmente, o desfile explorou cores vibrantes, referências aos bailes black e aos paredões do funk carioca. As alegorias e fantasias dialogaram com esse universo, misturando ancestralidade e cultura urbana. Houve pequenos ajustes ao longo do percurso, mas nada que quebrasse o ritmo ou o espírito da apresentação.

Ao completar 54 minutos de desfile, a Unidos da Ponte deixou a Sapucaí com a sensação de missão cumprida. Sem apostar na grandiosidade, a escola escolheu falar de território, memória e identidade popular. E mostrou que, para quem vem da Baixada e do subúrbio, o baile é mais que festa: é afirmação cultural.
Anuncie no BRAVA!
Entre em contato pelo e-mail comercial@bravabaixada.com.br e peça um orçamento.



