Fazer com que os jovens se conectem com o meio ambiente já não parece ser uma tarefa simples em um mundo cada vez mais acelerado e urbano. No entanto, é exatamente isso que vem acontecendo em Paracambi, na Baixada Fluminense. Ao longo dos últimos meses, jovens do município passaram a olhar com mais atenção para o território onde vivem e a refletir sobre os impactos das mudanças climáticas por meio do Projeto Jovens Líderes pelo Clima.
O projeto é uma iniciativa da Entidade Ambientalista Onda Verde, realizada por meio de convênio com a Transpetro, em parceria com a Prefeitura de Paracambi e o Instituto Federal do Rio de Janeiro – Campus Paracambi. O objetivo é estimular que a juventude do município se envolva com as questões ambientais e participe ativamente da construção de soluções para os desafios impostos pelas mudanças climáticas.
Durante dez meses, a primeira turma do projeto participou de aulas de educação ambiental voltadas ao desenvolvimento da percepção e à troca de saberes sobre as mudanças climáticas, em um espaço de formação que favoreceu a reflexão e a elaboração de estratégias para a redução de impactos ambientais. Como forma de apoio à permanência e ao engajamento dos participantes, os alunos recebem uma bolsa mensal no valor de R$ 450, além de uma bicicleta, que contribui tanto para a mobilidade quanto para o estímulo a práticas mais sustentáveis no dia a dia. Esse investimento é viabilizado pela Transpetro, empresa estatal parceira do projeto, que tem como uma de suas diretrizes o compromisso com o desenvolvimento social e ambiental dos territórios onde atua.

Nesse sentido, Sérgio Bacci, presidente da Transpetro, ressaltou o papel da empresa no apoio à iniciativa. “A Transpetro é uma empresa estatal e a gente tem por obrigação cuidar das pessoas, cuidar do meio ambiente e cuidar das questões climáticas que hoje afetam o mundo. A empresa precisa ter lucro, precisa gerar negócios, mas também precisa cuidar das pessoas. Esse é um investimento que a gente faz justamente pensando nisso.”
As atividades ocorreram em um ambiente privilegiado, ao lado do Parque Natural Municipal do Curió, o que possibilitou o contato direto com a natureza e a articulação entre o conteúdo teórico e a realidade ambiental do território. As aulas são realizadas no prédio do IFRJ – Campus Paracambi, que oferece a estrutura necessária para os alunos.
David Braga, diretor-geral do instituto, destacou a importância da parceria e do uso do espaço acadêmico. “Desde o início a gente comprou a ideia, gostou muito da proposta, e é muito gratificante poder ofertar isso em conjunto, fazendo com que o nosso espaço seja utilizado de forma viva. Não tinha como recusar algo que só traz benefícios, tanto para a população quanto para os nossos alunos, para os participantes do projeto e para todos os envolvidos.”

Ao longo do processo formativo, a proposta pedagógica buscou aproximar o debate climático da realidade local. Luciana Reis, coordenadora geral do projeto, explicou que os jovens passaram a ter um olhar diferente já nos primeiros contatos com o assunto.
“Usamos como ponto de partida um evento extremo que aconteceu em Paracambi em 2024, para que eles não enxergassem apenas o desastre em si, mas tudo o que levou aquele evento a acontecer, como evitar que se repita e, se não for possível evitar, como reduzir o sofrimento da população diante desses impactos. Só de fazer essa abordagem, já percebemos um olhar diferente da juventude sobre o que acontece na cidade”, disse Luciana.
Agenda 2030 de Paracambi
Esse olhar crítico também esteve presente na construção coletiva do principal produto do projeto. Samara Marinho, mobilizadora social da iniciativa, detalhou o processo participativo de elaboração da Agenda 2030 no município. “Foram feitos diagnóstico e análise de Paracambi para que tudo fosse implementado na agenda. Ela foi criada por meio de oficinas e atividades construtivas de elaboração, nas quais os alunos participavam a partir das necessidades que identificavam”, explicou.
Como resultado desse trabalho, os jovens elaboraram a Agenda 2030 de Paracambi, um documento que traduz os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para a realidade do município e aproxima o debate global do cotidiano da população. A proposta busca tornar práticos temas que muitas vezes parecem distantes, servindo de referência para a formulação de políticas públicas para a cidade.

A Agenda 2030 é um pacto internacional firmado por países membros da ONU em busca de um futuro mais justo, sustentável e equilibrado. Ela reúne 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que funcionam como metas globais para a melhoria da qualidade de vida humana e de toda a biodiversidade. Em Paracambi, o documento é traduzido em questões rotineiras da população, como coleta de lixo, transporte, educação e preservação dos espaços públicos.
O documento final foi entregue ao prefeito Andrezinho Ceciliano e ao secretário municipal de Meio Ambiente e Clima, Hélio Vanderlei, que considera a Agenda 2030 um instrumento fundamental de orientação para o planejamento do município. “Os jovens começaram a discutir, por exemplo, coleta seletiva, ciclovias e ciclofaixas, e trouxeram questões fundamentais sobre mudanças climáticas, como o transbordamento dos rios e a arborização urbana. Eu pude perceber que muitas coisas que eles colocaram na Agenda 2030 já estão no nosso plano de governo. Eles querem mudanças”, concluiu o secretário.
Ao longo do projeto, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima contribuiu com dados e informações sobre o município, oferecendo aos jovens as condições necessárias para propor projetos, desenvolver ideias e pensar melhorias que possam ser aplicadas em benefício da cidade. A Secretaria também ofereceu apoio com tecnologias que permitem consolidar as informações e os resultados dos projetos desenvolvidos pelos participantes.

Além do impacto coletivo, o caráter formador do curso já gerou resultados concretos na trajetória dos jovens. Uma das alunas que se destacou na primeira turma foi promovida a mobilizadora do próprio projeto.
“Essa promoção significa um olhar para a comunidade local na escolha da mão de obra e também demonstra um impacto do projeto na formação dela, pois, por meio do conteúdo das aulas, pôde se desenvolver a ponto de chamar nossa atenção e ser contratada”, explicou Gabriel Lopes, coordenador pedagógico do projeto.
Em 2026, essa história continua. A segunda turma do Projeto Jovens Líderes pelo Clima já está em ação em Paracambi, dando sequência ao trabalho iniciado pelos primeiros jovens e ampliando esse movimento de cuidado com o território. A proposta segue fortalecendo a participação da juventude e mantendo viva a construção de soluções para os desafios climáticos da cidade.
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