Professor e gestor de carreiras da Baixada diz que, em briga de marido e mulher, a empresa pode e deve meter a colher

Foto: Divulgação

O Brasil fechou 2025 com cerca de 1.518 feminicídios, o maior número desde que o crime passou a ser tipificado. São quase quatro mulheres mortas por dia por razões de gênero, segundo dados do Ministério das Mulheres. Enquanto o país contabiliza recordes de feminicídio, muitas empresas ainda tratam a violência doméstica como assunto “da vida privada” de seus funcionários.

Para o professor universitário e da Faetec Paiol Nilópolis e gestor de carreiras, Ricardo Machado, que atua há 20 anos na Baixada Fluminense, essa postura é ultrapassada, e perigosa. “Parte dos homens que aparecem nas manchetes cometendo agressões são profissionais que passaram o dia em seus escritórios antes de virar notícia. Eles participam de reuniões, lideram equipes, representam marcas. A empresa realmente acredita que isso não tem nada a ver com ela?”, questiona.

Machado afirma que a neutralidade corporativa não é isenção, é escolha. “As organizações investem milhões para construir reputação, valores, posicionamento ESG. Mas, diante da violência contra a mulher, muitas ainda preferem agir apenas depois do escândalo, demitindo o agressor e divulgando nota protocolar. Isso é reação. Não é responsabilidade”, analisa.

Segundo ele, enfrentar a causa é mais eficaz e mais coerente. “A violência doméstica impacta produtividade, clima organizacional, saúde mental, segurança e imagem institucional. Prevenir é proteger pessoas e proteger a marca”, frisa Machado. O especialista defende medidas concretas: treinamentos obrigatórios, campanhas permanentes de conscientização, políticas internas claras, canais seguros de denúncia e acolhimento às vítimas. 

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Para Machado, no momento em que o homem é treinado ele percebe que ao lado dele tem um outro homem na hora do cafezinho, na hora do comentário, ou  qualquer outra ocasião ainda com pensamento antigo, o funcionário que já passou pelo treinamento vai ser um ator importante na cena, porque ele vai incentivar o colega a pensar de forma diferente. 

“O grande ganho de treinar homens nesse processo é cortar a cadeia nociva que são os comentários preconceituosos sobre a questão da violência contra a mulher.. A partir do instante que é criado um time, uma consciência, uma nova cultura com o pensamento mais social, mais humanista, mais atual e esse homem  corta um outro homem, ganha um efeito diferente de conscientização”, avalia.

“Não se trata de invadir a vida privada. Trata-se de reconhecer que comportamentos violentos não surgem do nada. Cultura se constrói e pode ser transformada. Se o ambiente corporativo forma líderes e influencia valores, ele também pode ajudar a desconstruir o machismo que sustenta essa violência”, afirma Machado. Ele conclui com um chamado direto: “Na violência contra a mulher, a omissão também comunica. Funcionários, lideranças, RH é hora de agir. Em briga de marido e mulher, empresa pode e deve meter a colher”, conclui.

Cinco medidas que empresas podem adotar imediatamenteCriar política interna formal de enfrentamento à violência doméstica;

– Implementar treinamentos obrigatórios sobre respeito e equidade;
– Oferecer acolhimento e flexibilização para funcionárias vítimas;
– Estabelecer canal confidencial de denúncia;
– Firmar parceria com redes de apoio e assistência jurídica.

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