A cultura da Baixada Fluminense perdeu, na sexta-feira (31), uma de suas representantes mais atuantes. A artista plástica, artesã, oficineira e produtora cultural Sônia Monteiro Chiappini morreu após uma trajetória marcada pela produção artística, pela formação de novos públicos e pelo incentivo a outros agentes culturais da região.
Com atuação ligada principalmente a Guapimirim, Sônia transformou a arte em espaço de encontro, acolhimento e participação comunitária. Ao longo dos anos, esteve envolvida em ações voltadas à valorização da identidade da Baixada Fluminense, à divulgação do Dia da Baixada e ao fortalecimento do Prêmio Baixada, iniciativa que reconhecia pessoas comprometidas com a cultura regional.
Sua relação com esse movimento começou em 2005, quando foi convidada a participar de uma mobilização com agentes culturais dos 13 municípios da região. Desde o primeiro contato, demonstrou facilidade para reunir pessoas e organizar atividades coletivas.
A atuação rendeu reconhecimento no chamado “Oscar da Baixada”, premiação concedida a nomes ligados à cultura regional. Mais recentemente, Sônia conquistou o primeiro lugar na categoria Artes Plásticas do Prêmio Talma.
Arte feita com cor, sucata e convivência
A produção de Sônia transitava por diferentes linguagens. Ela pintava obras de inspiração naïf, abstrata e impressionista, geralmente marcadas pelo uso de cores fortes. Também produzia esculturas em papel machê e utilizava sucatas e materiais recicláveis em suas criações.
Uma das atividades mais conhecidas eram as oficinas de “Petnecas”, brinquedos produzidos com garrafas PET. As ações foram realizadas em escolas, feiras, eventos culturais e projetos sociais, combinando criação artística e educação ambiental.
Seu ateliê, o Recanto das Artes, em Guapimirim, também se tornou ponto de encontro para músicos, atores, artesãos, escritores, professores, estudantes, produtores culturais e moradores. O espaço recebia exposições, oficinas, feiras e outras atividades abertas à participação de artistas da região.
Sônia costumava resumir essa forma coletiva de trabalhar com a frase: “Tudo junto e misturado”.
Outro lema presente em sua trajetória era “Arte em Movimento, A Arte Cura”. A ideia deu nome a um projeto realizado por meio da Lei Aldir Blanc, com três dias de programação artística em Guapimirim e Magé.

Incentivo a outros artistas
Mais do que divulgar a própria produção, Sônia ficou conhecida por abrir espaço para outras pessoas. Organizava exposições coletivas, encontros culturais, feiras de artesanato e atividades literárias, reunindo artistas de diferentes áreas.
Nos últimos anos, enfrentou a morte do filho, Gerson Monteiro, em 2020, e da mãe, em janeiro deste ano. Mesmo atravessada por essas perdas, manteve uma história diretamente ligada à produção e à articulação cultural na Baixada Fluminense.
Sônia deixa como legado as obras que produziu, os projetos dos quais participou e as pessoas que encontraram em suas oficinas e encontros um primeiro contato com a arte. Sua trajetória permanece ligada à memória cultural de Guapimirim e ao movimento de valorização dos artistas da Baixada.
Anuncie no BRAVA!
Entre em contato pelo e-mail comercial@bravabaixada.com.br e peça um orçamento.
Descubra mais sobre Brava Baixada
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.


