Projeto Jovens Líderes pelo Clima prepara estudantes para atuar como multiplicadores de conhecimentos sobre mudanças climáticas, sustentabilidade e preservação ambiental
Transformar jovens em agentes capazes de levar conhecimentos sobre o meio ambiente para dentro das escolas e das comunidades é uma das propostas do projeto “Jovens Líderes pelo Clima”, desenvolvido em Paracambi, na Baixada Fluminense. A iniciativa mostra, na prática, que, para construir um futuro mais justo, é indispensável que cada pessoa se reconheça como parte da solução. Os impactos das mudanças climáticas são reais e, diante desse cenário, não basta falar sobre o problema: é preciso ampliar o conhecimento, estimular a participação e preparar as novas gerações para pensar em alternativas para o território onde vivem.
É com esse propósito, alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), que os jovens participantes do projeto buscam desenvolver ações voltadas à mitigação dos impactos ambientais e ao fortalecimento do engajamento da juventude.
Jovens como multiplicadores
A participação da juventude tornou-se fundamental na construção de respostas capazes de promover uma sociedade mais justa e sustentável. Os jovens não apenas estão entre as gerações que enfrentarão as consequências das decisões tomadas hoje, como também têm assumido um papel de protagonismo na mobilização social, na defesa do meio ambiente e na busca por soluções inovadoras.

É nesse processo que as escolas ganham um papel estratégico. Ao levar as discussões para outros estudantes, os jovens formados pelo projeto passam a atuar como multiplicadores de conhecimento. A educação ambiental deixa, assim, de ser apenas um conteúdo trabalhado em sala de aula e passa a ser uma ferramenta para estimular mudanças de comportamento e ampliar a participação social.
A ampliação da presença dos jovens nos espaços de decisão e nas ações de enfrentamento à crise climática significa fortalecer a democracia, valorizar diferentes perspectivas e contribuir para que as políticas ambientais considerem as desigualdades que tornam determinados grupos mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas.
O Jovens Líderes pelo Clima tem como foco a formação de agentes ambientais a partir da percepção, da construção e da troca de conhecimentos sobre as mudanças climáticas. O projeto oferece aos participantes um espaço de formação e desenvolvimento de estratégias capazes de contribuir para a redução dos impactos ambientais no município.
Entre os temas trabalhados estão mudanças climáticas, ecologia, desmatamento, ilhas de calor, aquecimento global, poluição dos mananciais, enchentes, saneamento ambiental, vulnerabilidade climática e justiça ambiental.
A formação também aborda os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), mobilidade sustentável, qualidade da água, segurança alimentar, pegada ecológica, sustentabilidade e educação ambiental e climática.
Como agentes multiplicadores, os participantes podem compartilhar conhecimentos com colegas, familiares e comunidades, ampliando o alcance das ações de conscientização e contribuindo para a construção de uma sociedade mais participativa, responsável e comprometida com a sustentabilidade.
Promover a educação ambiental nas escolas é uma forma de contribuir para a formação de uma geração mais consciente sobre os desafios ambientais e sobre a importância de preservar os recursos naturais. Ao compreender que as escolhas feitas no presente refletem diretamente no futuro, os jovens passam a ocupar um papel estratégico nesse processo.
Educação, juventude e transformação
A escolha dos jovens como agentes de transformação está relacionada à própria realidade de Paracambi. O município possui cerca de 95% de seu território em área rural e aproximadamente 48% de suas áreas verdes protegidas em unidades de conservação, impulsionada pela cobertura de Mata Atlântica. Nesse cenário, compreender os problemas ambientais locais e relacioná-los aos desafios globais pode ajudar os estudantes a enxergar o território de outra maneira.

O projeto tem duração de dois anos e prevê o atendimento de aproximadamente 100 jovens, entre 16 e 29 anos. A formação é realizada em ciclos de 10 meses, com 360 horas de atividades por turma, reunindo conteúdos teóricos, oficinas e experiências práticas voltadas à formação de jovens lideranças pelo clima.
Os participantes desenvolvem ferramentas de pesquisa, participam de ações de voluntariado, elaboram campanhas relacionadas aos impactos ambientais e trabalham na construção de uma Agenda 2030 para o município.
Para a Onda Verde, a estratégia é fazer com que o conhecimento circule. A organização atua há 32 anos na Baixada Fluminense e recebe jovens em atividades de educação ambiental, principalmente estudantes de escolas públicas da região.
Ao colocar os próprios jovens no papel de educadores e mobilizadores, o projeto amplia esse alcance e aposta na formação de uma geração mais preparada para compreender os efeitos das mudanças climáticas e participar da construção de soluções.
Um olhar para o futuro
Reconhecer o papel da juventude na construção da justiça climática e mobilizá-la é reafirmar sua importância na transformação do presente. Por meio da participação ativa, os jovens contribuem para mudanças que ultrapassam atitudes individuais e alcançam políticas públicas e espaços de decisão.

Nessa perspectiva, os jovens têm a capacidade de transformar a relação da sociedade com o meio ambiente. Iniciativas que estimulam a formação de jovens como líderes socioambientais ampliam o engajamento de novas gerações e podem contribuir para mudanças efetivas no território.
Mais do que ensinar conceitos ambientais, o Jovens Líderes pelo Clima busca criar condições para que os estudantes reconheçam os desafios do próprio território e se sintam capazes de participar das mudanças.
A aposta é que a educação ambiental não termine ao final de uma atividade na escola. Quando um jovem compartilha o que aprendeu com outros estudantes, familiares e a comunidade, o conhecimento ganha novos caminhos — e pode se transformar em ação.
O projeto é idealizado e realizado pela Entidade Ambientalista Onda Verde, com apoio da Prefeitura Municipal de Paracambi, e do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) – Campus Paracambi. A iniciativa é realizada por meio de convênio entre a Onda Verde e a Transpetro (Petrobras Transportes S.A).
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