Ancestralidade e games em exposição gratuita no Sesc Caxias

Criada por Eduardo Salvino, “Salvíficos Movimento #2 – Fábula”, aproxima público de herança afrodiaspórica a partir dos jogos

A tecnologia é a ponte para o encontro das conexões brasileiras com a diáspora africana na exposição gratuita “Salvíficos Movimento #2 – Fábula”, de Eduardo Salvino, que acontece até o dia 23 de agosto no Sesc Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Indicada para todos os públicos, esta é uma instalação interativa que combina arte, tecnologia e memória afrodiaspórica. Por meio de um QR Code integrado à obra, o público acessa, pelo celular, um jogo online que utiliza inteligência artificial para propor reflexões sobre identidade, ancestralidade e os impactos dos algoritmos racistas na representação de pessoas negras.

“A imagem capturada não se refere apenas à uma fotografia analógica, mas à parâmetros informacionais, tornada código, via inteligência artificial. Daí a importância de disponibilizar a interação com esta obra, e problematizar a insistente opressão étnica, discriminações e preconceitos, o que cria possibilidades de contrapontos à narrativa única, e, outros possíveis padrões imagéticos”, disserta Eduardo Salvino, artista multimídia e criador da exposição.

Na exposição existe uma série de jogos baseados em diferentes reinos, como Angola, Congo, Malungo e Moçambique. Em busca de um resgate da ancestralidade por diferentes tecnologias, com jogos que versam sobre a ancestralidade e a diáspora africana. Embora lembrem, na estética, os jogos de azar online, a ideia destas ferramentas audiovisuais é trazer para o jogador problematizações em relação à negritude.

Foto: Andre Fraga

“À deriva nesse espaço, contando com escolhas e consequências, ele poderá explorá?los, jogar, se divertir, aprender e exercitar suas próprias sínteses visuais e sonoras; o jogador, mesmo sem preocupação com desempenho, poderá navegar e apreciar mundos, alcançar objetivos, interagir ou mesmo evadir?se. As ações do jogo são máquinas de materialidade, expressão e desejo, sendo a mecânica, também, mensagem desse jogo. Daí o jogo dentro do jogo para esse audiovisual expandido”, explica Eduardo Salvino.

A experiência se desdobra em uma narrativa audiovisual interativa, na qual cada participante percorre diferentes “reinos” inspirados em territórios históricos africanos. A exposição é fruto da tese de doutorado de Eduardo Salvino, com o título “Territórios em suspensão: contexto e mediação em intervenções contracoloniais”, defendida em 2024 na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Por meio da obra, o artista busca expandir a temática ao alcançar um público fora do ambiente acadêmico formal, enquanto mistura audiovisual e jogos digitais, permitindo que o público participe ativamente da experiência.

“Acreditamos que com a interação com a obra, o público possa ter outras compreensões desse universo artístico-tecnológico emergente, se atualizando sobre o dinâmico espaço informacional. Apostamos ainda na possibilidade de leituras singulares que nos atravessam enquanto artista e público, componentes propulsores de novas relações poéticas dialógicas, onde se produz e se é produzido”, avalia Eduardo Salvino.

A obra também dialoga com a arquitetura local e propõe reflexões sobre como a arte é produzida, divulgada e recebida pela sociedade. A circulação do projeto ganha ainda mais importância diante da existência de jogos que reproduzem conteúdos racistas e criminosos, reforçando a necessidade de promover debates críticos por meio da arte. A exposição atual é uma sequência da  “Salvíficos movimento #1 – ensaio mnemônico”, que aconteceu em 2022, também no Sesc Duque de Caxias, em que o público interagia com um jogo de arcade, a versão atual traz a imersão como ponto de partida.

Macedo Griot (Foto: Divulgação)

Conheça Eduardo Salvino

Mineiro de Belo Horizonte (MG), o artista multimídia, pesquisador e professor é radicado em São Paulo (SP). Doutor em Poéticas Visuais pela USP e mestre em Comunicação e Semiótica, pela PUC SP, a exposição “Salvíficos Movimento #2 – Fábula” é fruto da sua pesquisa que investiga a audiência e contexto local em diálogo com o espaço e o tempo. Suas indagações também envolvem diálogos com a tecnologia e a racialidade, permitindo que possa se envolver em momentos artísticos na internet e em espaços físicos. Suas obras já passaram por Rio de Janeiro, Brasília (DF) e Goiás (GO), tendo ganhado os prêmios do Projeto Pulsar do Sesc nos anos de 2022 e 2026; o Prêmio Funarte de Arte Contemporânea, em 2014; e o 6º Salão Nacional de Arte de Goiás.

Ficha técnica

A exposição “Salvíficos Movimento #2 – Fábula” é uma criação de Eduardo Salvino. O machine learning fica por conta de Roger Sodré, enquanto a operação do game é da Yes creative solutions. A trilha sonora é de autoria do Marcão Baixada, com interlocuções críticas de Larissa Macêdo e João Simões. Os registros fotográficos são de André Fraga, já a produção é da Salvinoprêmios, com assistência de produção de João Cerala. A assessoria de imprensa é uma realização da Orbe Comunicação.

Serviço
Exposição “Salvíficos Movimento #2 – Fábula”
Duração: Até o dia 23 de agosto de 2026 (terça-feira à sábado)
Horário: 9h às 16h
Local: Sesc Duque de Caxias
Endereço: Rua General Argolo, nº 47 – Jardim 25 de agosto – Duque de Caxias – Rio de Janeiro/RJ
Classificação etária: livre
Agendamento para visitas mediadas e informações sobre a exposição: sescpulsarduquedecaxias@gmail.com
Telefone (apenas assuntos ligados à exposição): 21 3659-8377

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