Desenvolvido pela organização ambientalista Onda Verde, em convênio com a Transpetro – Petrobras Transportes S.A, o Jovens Líderes pelo Clima contou com o apoio da Prefeitura de Paracambi e do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ-, campus Paracambi). A iniciativa nasceu em agosto de 2023 e reuniu educação ambiental, formação cidadã e experiências práticas, aproximando os participantes de questões como mudanças climáticas, preservação da biodiversidade, saneamento, políticas públicas e justiça climática.
“Queríamos alcançar jovens, jovens que tivessem saindo do ensino médio, entrando e começando a construir sua vida profissional, começando a se constituir como adultos, como profissionais, como pertencentes a um território”, relembra Luciana.
A escolha de Paracambi também dialogava com as características do município, que abriga a Fábrica do Conhecimento e possui uma relação direta com a riqueza ambiental da região. A intenção era ampliar o acesso à formação para além das pessoas que já estavam envolvidas com a pauta ambiental.
O encerramento do projeto representa, assim, mais do que a conclusão de uma etapa educativa. É também um momento de observar o que mudou na percepção dos estudantes, nas relações construídas durante a formação e nas possibilidades que se abrem quando os jovens passam a reconhecer a própria capacidade de intervenção social.
Uma nova maneira de enxergar o meio ambiente
No início da formação, os participantes chegaram com diferentes experiências, conhecimentos e expectativas. Alguns nunca haviam participado de um projeto semelhante, outros ainda não tinham grande interesse pelas questões ambientais. Ao longo do percurso, porém, a diversidade de perfis se transformou em uma das características marcantes da iniciativa.

A mudança não aconteceu apenas na quantidade de informações que os jovens passaram a dominar. Ela também apareceu na maneira de se comunicar, na confiança para falar em público, na capacidade de trabalhar coletivamente e na disposição para compartilhar o que aprenderam.
Uma das integrantes da equipe responsável pelo acompanhamento dos participantes destaca justamente essa evolução.
“No início eles vieram um pouco tímidos, outros nunca tinham participado de um projeto como esse. Foram as primeiras apresentações em grupo, as primeiras apresentações de um trabalho. É bem interessante, acho que o fator que mais me admira pelo projeto é ver a evolução, tanto na fala quanto no comportamento, como na coletividade, também de como eles construíram uma comunidade entre eles”, relata Samara Marinho, coordenadora pedagógica.
A formação também permitiu que pessoas com diferentes personalidades e formas de pensar encontrassem espaço para construir conhecimento em conjunto. A pluralidade, nesse contexto, deixou de ser apenas uma característica da turma e passou a influenciar os resultados produzidos pelos participantes.
Essa construção coletiva aparece nos relatos dos estudantes, que descrevem a experiência como uma oportunidade de aprender com os colegas, conhecer outras realidades e desenvolver uma relação mais próxima com o lugar onde vivem.
“O que eu levo do projeto são os momentos que a gente teve em sala, fora de sala, todas as vivências, a troca de experiência, o contato com a equipe, com meus colegas, e tudo isso fez parte da minha formação”, conta Victor Hugo, participante do projeto.
Para ele, o conhecimento adquirido não deve permanecer restrito à experiência individual. “E acho que o que eu aprendi tem que ser repassado para fora também, não é algo que vai ficar só para mim. Eu quero poder compartilhar e ajudar com o que eu sei.”
A percepção de que a preservação ambiental envolve muito mais do que árvores e áreas verdes também aparece entre os jovens que concluíram a formação. Um dos participantes relembra que, antes de entrar no projeto, não demonstrava grande interesse pelo tema.
“Eu era um jovem da cidade que tinha terminado o ensino médio e não tinha muita noção das coisas, tanto que eu não me interessava tanto por meio ambiente. O que mudou é que agora eu sou completamente interessado por meio ambiente”, afirma Leonardo Ferreira, aluno da primeira turma.
A mudança, segundo ele, está relacionada à capacidade de observar o cotidiano com um olhar mais atento. Situações que antes poderiam passar despercebidas começaram a despertar perguntas sobre planejamento urbano, arborização e condições dos espaços públicos.
“Você ter percepção das coisas faz você ter interesse, faz você querer agir, fazer o possível, de acordo com aquilo que você aprendeu, proporcionar o melhor para minha comunidade”, completa.
O relato evidencia um dos objetivos centrais da educação ambiental: estimular uma compreensão mais ampla das relações entre a sociedade e a natureza. Quando o conhecimento se aproxima da realidade, o ambiente deixa de ser algo distante e passa a integrar as decisões, as escolhas e a maneira como cada pessoa se relaciona com o território.
O Parque do Curió e a descoberta da riqueza local
Entre as experiências que marcaram a formação, o contato direto com o patrimônio natural de Paracambi aparece como um dos momentos mais significativos para os estudantes.
Uma das visitas ao Parque do Curió, por exemplo, permitiu que um participante percebesse a dimensão da riqueza ambiental existente dentro do próprio município.
“O momento mais marcante para mim foi quando a gente fez a visita ali no Parque do Curió, porque a gente já tinha noção, já tinha o conhecimento do parque, mas a gente não sabia da riqueza que esse parque tinha dentro da cidade e a importância territorial que ele tem”, conta Victor Hugo.
O estudante também destaca a importância de conhecer de perto a fauna e a flora locais para compreender a relação entre conservação e identidade territorial.
“E é bom ter esse contato com a nossa fauna, nossa flora, e entender a importância para Paracambi do Parque.”
A experiência demonstra como atividades realizadas fora da sala de aula podem ampliar a percepção dos participantes. Conhecer um espaço natural não significa apenas identificar espécies ou observar a paisagem, mas também compreender sua relevância para o equilíbrio ambiental e para a vida da população.
Em um município com áreas verdes e recursos naturais importantes, esse olhar contribui para aproximar os moradores de seu próprio patrimônio ambiental e reforça a necessidade de protegê-lo.
O projeto também incentivou os estudantes a desenvolverem materiais de conscientização e a discutirem problemas presentes na região. A cartilha produzida pelos participantes da segunda turma reuniu informações sobre a preservação de rios e nascentes, a proteção da fauna e da flora, os impactos da ação humana e a necessidade de enfrentar as desigualdades relacionadas à crise climática.
Ao transformar o aprendizado em material de comunicação, os jovens passaram a ocupar também o papel de multiplicadores de conhecimento, compartilhando informações e ampliando as possibilidades de diálogo com a comunidade.
Protagonismo que começa na voz
Para alguns participantes, uma das maiores transformações aconteceu na forma de se expressar.
Falar diante de outras pessoas, apresentar um trabalho ou aparecer em frente a uma câmera pode ser um desafio, especialmente para quem ainda não teve muitas oportunidades de desenvolver essas habilidades. Durante a formação, essas situações se transformaram em experiências de aprendizado.
“Eu sou uma pessoa que é muito difícil de falar em público e falar de frente para uma câmera”, destaca Stephanny Serra, aluna do projeto.

Ela recorda um momento em que, durante uma atividade realizada no período da COP30, surgiu a oportunidade de alguém se voluntariar. “Pediam para alguém se voluntariar, e eu, mesmo com muito medo, o coração acelerando bastante, eu falei: ‘Eu quero’.”
A decisão, aparentemente simples, representou um passo importante para a estudante, que reconhece a contribuição da experiência para melhorar sua comunicação e enfrentar a insegurança. “Isso me ajudou bastante a melhorar a minha fala e tudo. Vou sentir muita saudade”, afirma.
A evolução na comunicação também foi observada pela equipe que acompanhou os jovens. As primeiras apresentações em grupo, os debates e as atividades coletivas se tornaram oportunidades para desenvolver a autonomia e fortalecer a confiança dos participantes.
Mais do que preparar os jovens para falar sobre meio ambiente, o projeto criou espaços para que eles reconhecessem o valor das próprias opiniões e compreendessem que suas vozes podem contribuir para as discussões sobre o futuro da cidade.
Uma das estudantes resume essa percepção ao refletir sobre a relação entre sua trajetória profissional e a responsabilidade ambiental.
“Eu não consigo me imaginar independente da área que eu entre de fato depois, trabalhar sem pensar em como o meu trabalho vai estar andando lado a lado com os impactos, sejam eles positivos ou negativos dentro do nosso planeta”, disse Maiara Rocha, mobilizadora socioambiental do projeto e ex-aluna.
A participante também destaca a importância de não subestimar a capacidade de mobilização individual. “Mesmo que o que eu faça seja pouco, tem importância. A minha voz, mesmo sendo pequena, ela ainda assim tem que ser ouvida. Ela é grande!”
Para Ludmila Oliveira, a experiência no Jovens Líderes pelo Clima proporcionou uma aproximação diferente com as questões socioambientais. Quando ingressou no projeto já cursava o terceiro período da graduação em Gestão Ambiental. “Se na faculdade eu estava aprendendo de uma forma muito mais de dados, pelos livros e pelas pesquisas, no projeto eu pude viver isso muito mais próximo de outras pessoas”, relata.
Moradora da Baixada Fluminense, ela destaca que o aprendizado fortaleceu sua relação com o município e sua vontade de contribuir para mudanças na região. “Eu sou da Baixada Fluminense, eu sou da periferia. Então, eu acho que o projeto que me trouxe de mudança de vida foi aprender a valorizar, a amar e a querer trabalhar por uma mudança aqui.”
A declaração aproxima a educação ambiental de uma discussão mais ampla sobre pertencimento. Reconhecer os desafios de um território não precisa significar apenas identificar problemas. Também pode representar a descoberta de suas potencialidades, de sua riqueza natural e das possibilidades de transformação construídas por quem vive nele.
Esse olhar é especialmente importante quando se discute justiça climática. Os impactos ambientais não se distribuem de maneira igualitária, e comunidades em condições de maior vulnerabilidade podem enfrentar dificuldades adicionais para lidar com enchentes, problemas de saneamento e degradação dos espaços públicos.
Ao incentivar os jovens a observar a realidade local, o projeto contribuiu para aproximar a discussão climática das experiências cotidianas e das necessidades da população.
A formação também mostrou que o envolvimento com a pauta ambiental não precisa terminar quando uma pessoa segue outra carreira. A responsabilidade socioambiental pode integrar diferentes áreas profissionais, influenciando decisões e práticas em diversos setores.
Educação que ultrapassa a sala de aula
A parceria com o Instituto Federal do Rio de Janeiro, campus Paracambi, foi uma das bases para a realização das atividades. A instituição acolheu o projeto e ofereceu um ambiente de formação que aproximou os participantes do universo acadêmico.
A experiência também contribuiu para o desenvolvimento de competências que podem fazer diferença na entrada dos jovens no mercado de trabalho, como comunicação, pensamento crítico, participação em atividades coletivas e capacidade de compreender problemas complexos.

David Braga, Diretor Geral da instituição destaca a relação entre a proposta do projeto e a missão educacional do IFRJ.
“Essa consciência ambiental sendo trazida com o protagonismo do jovem, da pessoa que vai realmente impactar na sociedade. Então, para nós, dada a nossa missão institucional, que conversa completamente com o objetivo dos Jovens Líderes pelo Clima, para nós é uma honra e um prazer muito grande ter recebido o programa aqui”, afirma.
Douglas Ferreira, Diretor de Pesquisa, Extensão e Inovação do IFJR, também chama a atenção para a contribuição da formação à trajetória profissional dos participantes.
“Um dos diferenciais grandes que a gente nota é que, até mesmo os alunos que passaram pelo Jovens Líderes pelo Clima, quando vão fazer uma entrevista de estágio, de emprego, eles já têm um passo, dois ou três passos à frente de muita gente.”
A avaliação reforça que a formação ambiental pode desenvolver habilidades que ultrapassam o domínio de conteúdos específicos. A capacidade de comunicar ideias, trabalhar em equipe, argumentar e demonstrar iniciativa também faz parte da preparação para os desafios profissionais.
Para os educadores envolvidos, o desempenho dos estudantes durante as atividades foi outro aspecto marcante.
“Eu me surpreendi, porque eu pude perceber o nível de conhecimento e conscientização ambiental que eles já tinham com eles. E, durante as atividades em sala de aula, que muitas das vezes tinham conteúdos técnicos, complexos, eles não se intimidaram em nenhum momento”, relata Viviane Brito, professora da segunda turma.
Ela destaca a participação ativa da turma nas dinâmicas, nos debates e nas conversas propostas durante o percurso.
“Eles sempre se mostraram muito participativos, empoderados em cima do tema, com a capacidade que eles tinham de entender o conteúdo e reproduzir o conteúdo.”
O depoimento demonstra a importância de reconhecer os estudantes como sujeitos ativos no processo de aprendizagem. Em vez de apenas receber informações, eles participaram das discussões, construíram interpretações próprias e desenvolveram maneiras de compartilhar o conhecimento.
Quando quem aprende também passa a ensinar
Um dos resultados mais simbólicos do Jovens Líderes pelo Clima foi a participação de ex-alunos da primeira turma na formação da turma seguinte. A experiência mostra como o conhecimento pode circular dentro do próprio projeto, permitindo que pessoas que inicialmente participaram como estudantes assumam novas responsabilidades.

O movimento também aparece no relato de uma jovem que quase não se inscreveu na iniciativa.
“Eu só me inscrevi porque estava com tempo livre”, conta Isabela Bezerril, ex-aluna e atualmente assistente administrativa do projeto.
Antes de participar, ela já demonstrava alguma preocupação com o meio ambiente, mas reconhece que o tema não ocupava um espaço tão importante em sua vida. Ao longo da formação, passou a enxergar suas próprias atitudes de outra maneira. “Eu já andava de bicicleta, mas, hoje em dia, andar de bicicleta para mim é preservar o meio ambiente e entender o lar que eu vivo.”
A experiência acabou abrindo novas possibilidades. A estudante, que não imaginava que faria parte do projeto, passou a integrar a equipe e a contribuir para que outros jovens também se aproximassem da pauta ambiental.
“Eu nem imaginava que eu seria aluna do projeto, muito menos que eu me tornaria parte da equipe. E hoje tenho a oportunidade de ajudar outros jovens a se apaixonar pela questão climática e pelo meio ambiente é algo que eu não consigo nem mensurar em palavras”, destaca.
A trajetória evidencia uma transformação que vai além do aprendizado individual. Quando uma ex-aluna passa a contribuir com a formação de novos participantes, ela também ajuda a ampliar o alcance da iniciativa e a criar vínculos entre diferentes gerações de jovens.
“Eles conseguem ver além do que eu via como aluna e como mobilizadora, ver como eles tinham a vontade de fazer acontecer, de botar a mão na massa, de questionar… nossa, principalmente questionar. Gosto de como eles pensaram em como as suas vozes impactam”, reforça Maiara.
Parcerias que sustentaram a iniciativa
A realização do projeto dependeu da articulação entre diferentes instituições. Além do convênio com a Transpetro e do apoio da Prefeitura de Paracambi e do IFRJ, a iniciativa contou com a participação de técnicos municipais, que contribuíram com informações e ajudaram a aproximar os debates das políticas públicas.

A parceria com o poder público foi especialmente importante para uma proposta que buscava discutir problemas ambientais e incentivar os jovens a pensar em soluções para o território.
“Não tínhamos como fazer um projeto que falava de políticas públicas sem ter técnicos nos apoiando, tanto para agregar informações quanto para ouvir o que os alunos já estavam construindo em suas mentes”, explica Luciana Oliveira.
Segundo ela, os profissionais envolvidos acolheram a proposta e participaram do percurso formativo.
“Acolheram a proposta do projeto e se empenharam e se comprometeram durante todo o percurso. E é por isso, por causa de todos esses apoios e parcerias, que a gente sai daqui com a sensação de dever cumprido.”
A articulação entre organizações da sociedade civil, instituições de ensino, poder público e empresa patrocinadora permitiu reunir diferentes conhecimentos e perspectivas em torno de uma agenda comum. Ao mesmo tempo, mostrou que a educação ambiental pode funcionar como um espaço de aproximação entre os jovens e as instituições responsáveis por formular e executar políticas que afetam suas comunidades.
Transpetro destaca protagonismo juvenil e resultados da formação
Para a Transpetro, a conclusão do ciclo representa a concretização de uma proposta que buscava contribuir para a juventude e para o município. Em entrevista sobre os resultados do projeto, o presidente da empresa, Sérgio Bacci, afirmou que os objetivos iniciais foram alcançados.
“Quando foi me apresentado o projeto, a gente achava que o produto dele seria um bom produto para a cidade de Paracambi, para a juventude, então eu acho que concretizou aquilo que a gente vislumbrava quando a gente assinou esse convênio”, declarou.

Bacci também destacou a importância de combinar o aprendizado teórico com experiências práticas.
“Essa coisa de você ter a prática depois da formação eu acho que é fundamental em qualquer coisa que a gente faz na vida”, afirmou.
Na avaliação do presidente, a discussão sobre os efeitos climáticos também precisa alcançar o poder público e contribuir para a construção de respostas aos desafios enfrentados pelas cidades.
Ao comentar o cenário de Paracambi, Bacci mencionou as enchentes que atingiram o município e destacou a importância de ações voltadas à prevenção de novos problemas.
“Quando essa molecada começa a discutir essa questão dos efeitos climáticos e o poder público assimila isso e começa a ter ações, acho que isso mostra efetivamente que deu certo o projeto”, disse.
Questionado sobre a possibilidade de dar continuidade ou ampliar iniciativas semelhantes, Bacci afirmou que a permanência do projeto dependeria das condições institucionais que sustentam a parceria.
A declaração coloca em evidência um dos desafios que se apresentam após o encerramento: transformar os resultados de uma experiência de formação em oportunidades duradouras para a juventude e para as comunidades atendidas.
Os números de uma transformação coletiva
Ao todo, o Jovens Líderes pelo Clima atendeu 100 jovens na Baixada Fluminense, distribuídos em duas turmas. De acordo com os dados divulgados pelo projeto, 88% dos participantes concluíram a formação completa, de 360 horas. O material também informa que os resultados já se refletem em salários de até 58% mais altos. Esse percentual é apresentado como um dos indicadores associados à trajetória dos participantes

Outro dado destacado é o impacto econômico da iniciativa no município. Segundo o balanço divulgado, 75% do investimento circulou em Paracambi, movimentando quase R$ 2 milhões na economia local.
Os números mostram que os efeitos do projeto foram apresentados em diferentes dimensões: formação educacional, desenvolvimento profissional, fortalecimento da participação juvenil e movimentação econômica.
Esse movimento ajuda a explicar a ideia de transformação que atravessa o projeto. O conhecimento não fica restrito a uma turma, a uma sala ou a um período determinado. Ele pode ser compartilhado, adaptado e levado a outras pessoas, ampliando o alcance das experiências vividas.
O projeto termina. O compromisso continua.
Ao longo de sua trajetória, o Jovens Líderes pelo Clima mostrou que a formação ambiental pode produzir mudanças na maneira como os jovens se expressam, interpretam o território e se posicionam diante dos desafios da sociedade.
Para alguns, a experiência representou o primeiro contato mais profundo com questões ambientais. Para outros, foi uma oportunidade de aproximar os conhecimentos acadêmicos da realidade das comunidades. Houve também quem descobrisse uma nova área de interesse, desenvolvesse a confiança para falar em público ou encontrasse uma maneira de contribuir com a formação de outras pessoas.

O encerramento não elimina os desafios que motivaram a iniciativa. A preservação dos rios e das nascentes, a proteção da biodiversidade, a melhoria do saneamento e o enfrentamento das desigualdades climáticas continuam exigindo políticas públicas, participação social e compromisso coletivo.
Mas a experiência deixa uma contribuição importante: jovens mais preparados para questionar, compartilhar conhecimento e reconhecer que fazem parte das soluções possíveis para o território onde vivem.
Na avaliação de Isabela Bezerril, uma das integrantes da equipe, o legado está justamente nessa mudança de postura. São jovens com senso crítico mais apurado, que passaram a questionar e a se posicionar diante da realidade.
A transformação também aparece na trajetória de quem entrou sem grandes expectativas e saiu com o desejo de trabalhar por mudanças na própria comunidade. Aparece na estudante que venceu o medo de falar diante de uma câmera, na ex-aluna que passou a formar novos participantes e no jovem que descobriu, em uma visita ao Parque do Curió, uma riqueza ambiental que ainda não conhecia por completo.
São histórias que mostram como a educação pode ampliar horizontes e fortalecer o sentimento de pertencimento. Ao reconhecer o valor do território, os participantes também passam a compreender melhor a responsabilidade de cuidar dele.
Em Paracambi, a mudança não aconteceu de uma só vez. Foi construída ao longo das aulas, das conversas, das experiências práticas e das relações estabelecidas entre estudantes, educadores e instituições.
O Jovens Líderes pelo Clima chega ao fim como projeto de formação, mas deixa participantes que carregam consigo novas perguntas, conhecimentos e possibilidades de atuação. Seu legado não está apenas no que foi aprendido durante as 360 horas de formação, mas também no que cada jovem poderá construir a partir delas.
Porque cuidar do meio ambiente é também cuidar das pessoas, valorizar os territórios e reconhecer que nenhuma voz precisa ser grande para fazer diferença.
Em Paracambi, 100 jovens participaram dessa jornada. E, para muitos deles, o encerramento não representa o fim do caminho, mas o começo de uma nova maneira de percorrê-lo.
Jovens Líderes pelo Clima: uma realização da Onda Verde, com apoio da Prefeitura de Paracambi e do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ – campus Paracambi), em convênio com a Transpetro – Petrobras Transportes S.A.
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