Audiência pública reúne especialistas, profissionais de saúde, poder público e sociedade civil para discutir qualidade de vida, acesso à informação e implementação de políticas para mulheres
A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) realizou nesta segunda-feira (24) uma audiência pública sobre climatério e menopausa. Articulado pelo gabinete da deputada estadual Lilian Behring (PCdoB), que conduziu os trabalhos no exercício da presidência da Comissão de Saúde, o encontro reuniu especialistas, profissionais de saúde, representantes do poder público e da sociedade civil para discutir os desafios e os caminhos para ampliar a assistência às mulheres nessa fase da vida.
A audiência teve como foco a implementação da Lei Estadual nº 9.249/2021, de autoria da deputada federal Enfermeira Rejane, que criou o Programa de Qualidade de Vida da Mulher durante o Climatério e Pós-Climatério, e da Lei nº 10.742/2025, que ampliou as ações previstas na legislação.
“Durante muito tempo, falar sobre climatério e menopausa foi cercado de silêncio e desinformação. Precisamos tratar esse tema como uma questão de saúde pública, garantindo informação, profissionais capacitados e um atendimento individualizado e multidisciplinar para as mulheres”, afirmou Lilian Behring.
Entre os temas debatidos estiveram os impactos físicos e emocionais do climatério e da menopausa, alimentação, atividade física, saúde mental, prevenção e a preparação da rede pública para oferecer acompanhamento adequado.
“Não basta termos uma legislação. É preciso saber como ela está sendo implementada e quais são os obstáculos para que essa política chegue efetivamente às mulheres fluminenses”, destacou a deputada.

Participaram da mesa a Dra. Ana Rocha, chefe de gabinete da deputada federal Enfermeira Rejane, representando a parlamentar; Adriana Ferreira, presidenta do Instituto Menopausa Feliz; Dr. Antônio Braga Neto, coordenador estadual da Área Técnica de Saúde das Mulheres da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, representando o Dr. Damião, Secretário de Saúde; Dra. Daniele Moretti, presidenta do Conselho Estadual de Saúde do Rio de Janeiro; Dra. Juliana Risso Machado, chefe do Ambulatório de Climatério e Menopausa e do Ambulatório de Ginecologia da UERJ; Dra. Beatriz Tupinambá, médica especialista em Ginecologia e Obstetrícia e criadora do Método Ressignifique a Menopausa; Dra. Zuleide Alzira de Santana Aguiar, enfermeira e especialista em Enfermagem e Obstetrícia, coordenadora de enfermagem da Maternidade da Rocinha; Dra. Nidia Meirelles, responsável pelo projeto A Vida como Ela é com Endometriose; Dra. Rafaela Pequeno, presidenta da União Brasileira de Mulheres do Rio de Janeiro; e Alessandra Pinheiro, nutricionista e profissional de Educação Física.
Encaminhamentos
Entre os encaminhamentos definidos ao final da audiência estão a articulação para ampliar o orçamento destinado às políticas de saúde da mulher, especialmente para climatério e menopausa; o envio de ofício ao Poder Executivo solicitando prioridade na implementação dessas políticas; a discussão para criação de uma rede estadual de acompanhamento e referência; e a articulação com gestores municipais, estaduais e federais para fortalecer o atendimento na atenção básica.
Também ficou definido um prazo de 30 dias para a realização de um webinário de capacitação dos profissionais de saúde dos 92 municípios do Estado sobre climatério e menopausa. O compromisso foi assumido pelo médico Antônio Braga Neto, coordenador estadual da Área Técnica de Saúde das Mulheres da Secretaria de Estado de Saúde.
“Eu não consigo mudar o mundo, mas posso começar mudando aquilo que está ao meu alcance. Se em 30 dias isso não estiver acontecendo, eu mudo até o meu nome”, afirmou Braga Neto, ao assumir o compromisso durante a audiência.
Para Lilian Behring, o objetivo agora é transformar o debate em ações concretas.
“Essa audiência precisa produzir consequências concretas. Vamos acompanhar os encaminhamentos, cobrar os próximos passos e trabalhar para que a política pública saia do papel e chegue às mulheres em todo o Estado”, concluiu.
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