O lançamento póstumo da autobiografia O Último Sertanejo, do poeta Edilberto José Soares, reuniu autoridades, escritores, jornalistas, produtores culturais, familiares e amigos na noite do último sábado (27), no Charitas – Casa de Cultura José de Dome, em Cabo Frio. O projeto, contemplado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, através do edital Literatura do Rio ao RJ, tendo como proponente o produtor cultural Pedro Turra, se transformou em uma emocionante homenagem ao escritor, que faleceu no dia 28 de maio, um mês antes de ver realizado o sonho de lançar a obra que conta sua trajetória de vida e de transformação através da literatura.
Durante a cerimônia, o secretário municipal de Cultura de Cabo Frio, Carlos Ernesto Lopes, destacou a importância dos editais públicos para fortalecer a produção cultural e permitir que artistas e produtores transformem projetos em realidade.
“Hoje é uma realidade. Os editais estão aí e são formas de fomento à Cultura. Eu acredito na importância desse processo para a ampliação de produção para os artistas. E, como secretário de Cultura de Cabo Frio, vejo também como uma forma de nos enriquecer, através da arte. E hoje, estou muito feliz de poder ter mais uma obra para ler e conhecer um pouco da trajetória deste poeta e escritor, através da sua autobiografia, O Último Sertanejo”, disse.

A noite também contou com uma mensagem em vídeo enviada pelo vice-presidente da Academia Brasileira de Letras do Cárcere, Dr. Siro Darlan, que lamentou não poder estar presente e prestou uma emocionante homenagem ao amigo Edilberto José Soares, ressaltando sua importância para a Academia e para o trabalho de transformação social através da literatura.
Representando a Academia Brasileira de Letras do Cárcere, esteve presente a escritora Ângela Fanzeres, autora do livro Pedro Dom e Eu, que compartilhou sua experiência de reconstrução através da escrita e destacou a importância do legado deixado por Edilberto.
A cerimônia reuniu ainda familiares do poeta, entre eles sua prima, Edna Maria da Silva Ferreira, que emocionou o público ao recordar a trajetória do escritor e afirmar que ele estaria profundamente feliz ao ver seu sonho concretizado. Também esteve presente o irmão do poeta, Isaías Soares, visivelmente emocionado durante toda a homenagem.
Entre os convidados estiveram ainda a escritora e produtora cultural Bela Lopes, da Marimba Literária, de Duque de Caxias; o ator e professor de História Guilherme Guaral; o jornalista, escritor e poeta Rodrigo Cabral, diretor do jornal Folha dos Lagos e da Editora Sofia; o jornalista Carlos Henrique Ferreira, diretor da Biblioteca Municipal de Cabo Frio; e a jornalista Geovana Diesel, ex-apresentadora da afiliada da TV Globo na Região dos Lagos, entre tantos artistas, escritores, fazedores de cultura e convidados.

Ao longo da cerimônia foram exibidos vídeos do próprio Edilberto José Soares permitindo que o público conhecesse um pouco mais sobre a história do poeta e de sua transformação através da literatura. A jornalista Alexandra de Oliveira, editora responsável pela obra, destacou a emoção de concluir um projeto tão importante para a sua carreira.
“Poucos jornalistas têm a oportunidade de dizer que ajudaram alguém a contar a própria história. Poucos editores vivem o privilégio de acompanhar um autor até os últimos dias e entregar ao mundo uma obra que ele aprovou, escolheu, sonhou e acreditou. E eu tive esse privilégio. A autobiografia termina na última página, mas o legado do poeta e escritor começa quando outra pessoa abre o livro. E isso vai aconteceu no dia do lançamento pela primeira vez”, destacou.
O proponente do projeto, Pedro Turra, ressaltou a importância de manter a data prevista para o lançamento, mesmo após o falecimento do poeta.
“Sabíamos que seria uma noite diferente daquela que imaginamos ao lado do Edilberto. Mas também sabíamos que cancelar o lançamento significaria interromper o maior sonho que ele tinha. Mantivemos a data porque entendemos que este seria o melhor caminho de honrar sua memória e garantir que a história continue alcançando outras pessoas”, explicou.

O lançamento contou com acessibilidade em Libras, por meio do intérprete Pablo Moura, reafirmando o compromisso do projeto com uma cultura mais inclusiva.
Após a cerimônia, os convidados participaram de um coffee break, momento de encontro, conversa e confraternização, quando receberam exemplares da autobiografia e puderam compartilhar lembranças e histórias sobre o poeta.
A organização também agradeceu à Secretaria Municipal de Cultura de Cabo Frio, na pessoa do secretário Carlos Ernesto Lopes, pelo apoio institucional ao evento; ao diretor do Charitas – Casa de Cultura José de Dome, Sérgio Gabriel, pela cessão do espaço e por abrir o equipamento cultural especialmente para a realização da cerimônia em um sábado; e a toda a equipe de funcionários da Casa de Cultura, que colaborou com dedicação para que o lançamento acontecesse da melhor forma possível.
Com 164 páginas e tiragem de 500 exemplares, O Último Sertanejo narra a história de Edilberto José Soares, conhecido como “Poeta da Favela”. Após passar 31 anos no sistema prisional, encontrou na literatura e na poesia um caminho de reconstrução pessoal, dedicando os últimos anos de sua vida à promoção da leitura, cultura e esperança junto a jovens e comunidades em situação de vulnerabilidade.
Mais do que o lançamento de um livro, a noite marcou a consolidação do legado de um homem que fez da palavra escrita a sua verdadeira liberdade.
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