Há algo de profundamente simbólico em observar o clima enquanto se planta o futuro. É nessa encruzilhada entre ciência, educação e floresta que o projeto Conexão Floresta e Clima, da entidade ambientalista Onda Verde, começa a ganhar corpo neste mês de março no entorno da Reserva Biológica do Tinguá, um dos maiores e mais preservados remanescentes de Mata Atlântica do estado do Rio de Janeiro. Ao longo das próximas semanas, o projeto coloca em marcha uma série de ações que misturam pesquisa ambiental e mobilização comunitária.
A primeira delas acontece no céu onde, até o fim do mês, drones irão sobrevoar áreas estratégicas da reserva para diagnóstico dos territórios prioritários para semeadura com drone. A ciência também começa a se instalar no chão. Estações meteorológicas estão sendo implementadas em escolas públicas e em pontos da própria Rebio, criando uma rede local de monitoramento climático capaz de registrar variações de temperatura e regime de chuvas. A floresta, afinal, também se aprende.
Por isso, o projeto já está em plena atividade de educação ambiental em colégios de quatro municípios que vivem à sombra verde da Tinguá de São João de Meriti, Belford Roxo, Duque de Caxias e Guapimirim. Nessas escolas, estudantes participam de encontros e discutem a biodiversidade e o papel das florestas na proteção das cidades. Desse movimento também nascerá uma pequena tropa de observadores atentos que são os Monitores do Clima, moradores dos cinco municípios envolvidos que estão sendo selecionados para colaborar no acompanhamento das transformações do território.
Mutirão
O calendário de março reserva ainda um gesto coletivo de cuidado com a floresta. No dia 21, quando se comemora o Dia Internacional das Florestas moradores do entorno participam de um mutirão de voluntariado dentro da reserva.
“Mobilizar uma rede de voluntários para apoiar na conservação da Rebio do Tinguá e de sua zona de amortecimento é como bordar, linha por linha, um emaranhado de afeto em volta da floresta. É retornar ao caminho de pertencimento com o território e responsabilidade com a natureza” observa Tayane Guedes, coordenadora do projeto.
Outro eixo do projeto é o diálogo com o poder público. Ao longo do mês, o Conexão Floresta e Clima será apresentado às secretarias de Defesa Civil dos municípios participantes, aproximando conservação ambiental e estratégias de prevenção a eventos climáticos extremos. Como parte dessa engrenagem de conhecimento, também está em elaboração um conjunto de materiais didáticos voltados à educação ambiental, para serem utilizados nas escolas participantes.
O projeto aposta em uma ideia cada vez mais urgente de que uma floresta protegida não se faz apenas com cercas e decretos, mas também com ciência e gente disposta a cuidar do lugar onde vive.
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