Ampliação da reciclagem pode gerar demanda equivalente a até 2,9 mil postos de trabalho no Rio de Janeiro

Foto: Divulgação

Estudo da Pezco Economics estima o potencial de inclusão produtiva associado à ampliação da triagem e da coleta seletiva na capital

A ampliação da reciclagem no Rio de Janeiro pode gerar demanda equivalente a até 2,9 mil postos de trabalho, segundo estudo elaborado pela Pezco Economics para a Regenera Rio sobre os efeitos econômicos, sociais e ambientais associados à gestão adequada de resíduos. O resultado expressa um potencial futuro: sua materialização depende da expansão da coleta seletiva, da implantação de estruturas de triagem e da articulação com cooperativas e catadores.

Os resultados variam conforme o cenário analisado. Em um deles, a coleta seletiva poderia alcançar cerca de 217 mil toneladas de resíduos por ano. Com uma taxa de recuperação de 60%, esse volume corresponderia a uma demanda equivalente a aproximadamente 2,3 mil postos de trabalho. Em outro exercício, novas unidades de triagem nas Estações de Transferência de Resíduos (ETRs) poderiam processar até 494,2 mil toneladas por ano e recuperar cerca de 33,2 mil toneladas — o equivalente a aproximadamente 600 postos de trabalho em tempo integral. No cenário mais amplo considerado pelo estudo, o potencial chega a 2,9 mil postos, se os fluxos da coleta seletiva e da triagem forem distintos. As estimativas não constituem previsão de contratações e dependem da configuração dos fluxos e dos investimentos realizados.

Ao participar do lançamento do estudo, Renato Paquet, CEO da Polen Solução e Valoração de Resíduos, ressaltou que o avanço da reciclagem depende não apenas da ampliação da coleta e da triagem, mas também do fortalecimento das cooperativas que integram essa cadeia: “O melhor indicador que podemos ter para medir esse processo é o aumento da renda nas cooperativas. Isso é o que permite produtividade, eficiência e aumento da quantidade de materiais que uma concessão vai conseguir recuperar e retornar para a cadeia”.

“Quando materiais recicláveis deixam de ser recuperados, a sociedade perde valor econômico e arca com custos ambientais e sociais que nem sempre aparecem de forma explícita. Ampliar a coleta seletiva e a triagem pode transformar parte dessas perdas em trabalho, renda e melhores condições para cooperativas e catadores. Para que esse potencial se concretize, são necessários investimentos e a articulação com esses atores da cadeia”, afirma Maurício Batista, Diretor Presidente da Regenera Rio.

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Inclusão produtiva já integra operação

Atualmente, a Regenera Rio, responsável pela transferência e pela destinação final dos resíduos do Rio de Janeiro e de outros seis municípios fluminenses, recebe cerca de 10 mil toneladas de resíduos por dia, reunindo aproximadamente 480 colaboradores atuando nas cinco Estações de Transferência de Resíduos (ETRs) e no Centro de Tratamento de Resíduos (CTR-Rio), em Seropédica. O sistema ainda integra uma cooperativa na ETR Caju, formada por 45 catadores de recicláveis.

Entre as iniciativas de inclusão está o Plano de Inclusão dos Catadores (PISCA), que apoiou a formação da Cooperativa de Catadores de Seropédica (COOTRASER) e contribuiu para a criação de mais de 30 postos de trabalho formais. Além da geração de renda, ações dessa natureza podem ampliar a segurança, a capacitação, a formalização e a estabilidade do trabalho dos catadores.

Em 2016, o CTR-Rio, então operado pela antiga prestadora, hoje Regenera Rio, recebeu o prêmio Infraestrutura 360° do BID Invest, do Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), na categoria Pessoas e Liderança, que destacou o plano de inclusão de antigos catadores.

Acesse o estudo completo neste link.

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