Iniciativa do Instituto Perma Lab fortalece o protagonismo de mulheres em comunidades vulneráveis por meio da agroecologia, educação ambiental e geração de renda
O Projeto Cultivar – Programa de Aceleração da Transição Agroecológica de Sistemas Alimentares em Territórios Periféricos do Rio de Janeiro, realizado pelo Instituto PermaLab, concluiu, no mês de setembro, a implementação de três sistemas agroflorestais (SAFs) em Magé, na Baixada Fluminense. Iniciadas em maio, as ações combinam produção de alimentos, recuperação ambiental, educação ambiental e geração de renda, com mulheres das comunidades atendidas participando da construção e execução das atividades.
A iniciativa integra a trajetória de atuação do Instituto Perma Lab, que já realizou mais de 64 projetos no Estado do Rio de Janeiro, beneficiando mais de 50 mil pessoas e contribuindo para o plantio de mais de 8 mil árvores nativas em áreas degradadas. Ainda em setembro, o Cultivar amplia sua atuação para Campo Grande, na Zona Oeste, e Penha e Complexo do Alemão, na Zona Norte.

O projeto atua em comunidades periféricas, onde questões sociais e ambientais se cruzam. A escolha dos territórios considera critérios como vulnerabilidade social e econômica, insegurança alimentar, escassez de infraestrutura, viabilidade para implementação de tecnologias sociais e presença de lideranças femininas e negras locais. A partir desse diagnóstico, a equipe constrói as ações junto às comunidades, considerando os conhecimentos e as necessidades de cada local.
“A proposta surgiu de uma trajetória acumulada de 14 anos de atuação direta do Instituto Perma Lab em territórios periféricos. Foi desenhada a partir do diálogo contínuo com as bases e da escuta das necessidades locais em relação à segurança alimentar, ao enfrentamento de desertos alimentares e à urgência de soluções de resiliência climática nessas regiões. O projeto foi delineado buscando dar continuidade e complementar o trabalho que outras instituições parceiras realizam e realizaram nos territórios beneficiados, garantindo o aprofundamento das ações desenvolvidas”, explica Ana Souza, coordenadora do Projeto Cultivar.

Nesse processo, o protagonismo das mulheres é uma das estratégias do projeto. Elas estão envolvidas desde a implementação e manutenção dos sistemas até a destinação e comercialização da produção. O Cultivar também oferece aulas de empreendedorismo, fóruns e outros espaços de formação e diálogo sobre questões ambientais, sociais e territoriais. A produção pode ser destinada ao consumo das próprias famílias ou comercializada em feiras e outros espaços, criando possibilidades de geração de renda e fortalecendo a autonomia econômica das participantes.
“As mulheres são a maioria expressiva na gestão e manutenção das hortas e iniciativas agroecológicas comunitárias periféricas. como protagonistas valoriza o conhecimento tradicional que acumulam, fortalece sua liderança comunitária, estimula a equidade de gênero e garante uma gestão mais inclusiva e democrática dos recursos territoriais. Além disso, a produção sustentável de alimentos precisa combater o machismo e as desigualdades de gênero para funcionar de verdade. Embora estejam na linha de frente da agroecologia, as mulheres enfrentam barreiras estruturais e históricas que frequentemente impedem o reconhecimento total do seu trabalho”, afirma Ana Souza.

Nos SAFs, árvores, espécies alimentícias e outras plantas são cultivadas de forma consorciada. A diversidade de espécies favorece a recuperação do solo, a retenção de umidade, o aumento da biodiversidade e a criação de microclimas, ao mesmo tempo em que amplia a produção de alimentos. Em áreas mais expostas aos efeitos das mudanças climáticas, essas características podem contribuir para a adaptação a períodos de calor intenso, estiagens e chuvas fortes e para a conservação dos recursos hídricos.
Além dos sistemas agroflorestais, o Cultivar pode implementar tecnologias sociais como viveiros de mudas e bancos de sementes. A metodologia inclui mutirões, visitas técnicas, capacitações e acompanhamento das áreas, combinando conhecimento técnico e saberes locais. Entre os impactos buscados estão o enfrentamento da insegurança alimentar e dos “desertos alimentares”, a melhoria da renda familiar, a recuperação de áreas degradadas, o aumento da biodiversidade e o fortalecimento da resiliência socioambiental das comunidades.
“A proposta do Cultivar é trabalhar essas dimensões de forma integrada. A produção de alimentos, a recuperação ambiental, a geração de renda e a resiliência climática fazem parte de uma mesma estratégia quando pensamos em territórios periféricos”, explica Ana Souza.
O Projeto Cultivar é realizado pelo Instituto Perma Lab e tem duração de 18 meses, entre abril de 2026 e outubro de 2027.
Anuncie no BRAVA!
Entre em contato pelo e-mail comercial@bravabaixada.com.br e peça um orçamento.
Descubra mais sobre Brava Baixada
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.


