Morre Oswaldinho do Acordeon, músico nascido em Duque de Caxias e referência nacional do forró

Foto: Divulgação

A música brasileira perdeu neste domingo (25) um de seus grandes nomes da sanfona. Oswaldinho do Acordeon, nascido em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, morreu aos 72 anos, após construir uma carreira de reconhecimento nacional e internacional. A morte foi confirmada nas redes sociais do artista. A causa não foi divulgada.

Conhecido pela habilidade com o acordeon e pela disposição de experimentar diferentes sonoridades, Oswaldinho ajudou a ampliar os caminhos do forró. Ao longo de seis décadas, aproximou os ritmos nordestinos do jazz, do blues, do rock e da música erudita, levando a sanfona a palcos e festivais dentro e fora do Brasil.

Seu nome de batismo era Oswaldo de Almeida e Silva. Nascido em 5 de junho de 1954, ele era filho do sanfoneiro baiano Pedro Sertanejo, uma das referências do forró em São Paulo. Ainda criança, mudou-se com a família para a capital paulista, onde cresceu cercado pela música nordestina.

De Duque de Caxias para os palcos internacionais

A relação de Oswaldinho com a sanfona começou dentro de casa. O pai foi seu primeiro incentivador, e a convivência familiar colocou o menino em contato com músicos como Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Sivuca, que frequentavam a residência de Pedro Sertanejo.

Oswaldinho começou a tocar ainda na infância e participou de uma gravação do pai em 1963, aos nove anos. Três anos depois, lançou seu primeiro compacto. Além do aprendizado prático, estudou música clássica, formação que influenciaria sua maneira de explorar as possibilidades do acordeon.

Na década de 1970, iniciou uma sequência de lançamentos que consolidou sua carreira. Entre eles estão Fantástico Oswaldo Silva (1973), Só Quero um Xodó (1974), Oswaldinho (1975), Forró Pop (1977), Lágrimas de Namorados (1978) e Natureza (1979).

Um dos momentos importantes dessa trajetória veio com Forró in Concert, lançado em 1981. O trabalho combinou a tradição nordestina com outras influências musicais e contribuiu para ampliar a presença do sanfoneiro em festivais europeus.

Oswaldinho também trabalhou com artistas como Alceu Valença, Luiz Gonzaga, Gonzaguinha, Elba Ramalho e Renato Teixeira. Sua carreira foi marcada tanto pela defesa da música nordestina quanto pela experimentação, sem limitar a sanfona ao repertório tradicional do forró.

O encontro de três mestres da sanfona

Em 2004, Oswaldinho dividiu um projeto com dois músicos que fizeram parte de sua formação artística: Dominguinhos e Sivuca. O encontro resultou no álbum Cada um Belisca um Pouco, lançado pela gravadora Biscoito Fino.

O disco reuniu três instrumentistas de diferentes trajetórias, mas ligados pela tradição da sanfona brasileira. A gravação se tornou um dos registros importantes da carreira de Oswaldinho e de sua relação com outros grandes nomes do instrumento.

Sua discografia também inclui trabalhos como Asa Branca Blues e Forró Chorado, que mostram a continuidade das experiências musicais ao longo dos anos.

Uma despedida que repercutiu na música brasileira

A morte de Oswaldinho provocou homenagens de artistas que acompanharam sua trajetória. Chico César compartilhou uma mensagem de despedida: “Adeus, mestre Oswaldinho do Acordeon. Você e sua música seguem em nossos corações”.

Elba Ramalho também lamentou a perda. “Hoje a saudade fala mais alto, mas sua sanfona continuará tocando dentro de nós. Que Deus conforte o coração de todos que o amavam. Siga a luz”, escreveu a cantora.

O guitarrista Nelson Faria destacou a importância do instrumentista: “Hoje se foi um dos maiores sanfoneiros que esse país já conheceu. Vai fazer falta”.

Em uma entrevista concedida à revista Ritmo Melodia, em 2003, Oswaldinho recordou a infância em Duque de Caxias, os ensinamentos do pai e a convivência com grandes sanfoneiros. Também falou sobre as experiências internacionais e a liberdade de misturar diferentes estilos musicais.

“Tenho muito orgulho do meu trabalho, meu instrumento e do caminho que escolhi trilhar”, declarou na ocasião.

A trajetória que começou em Duque de Caxias atravessou gerações e fronteiras. Oswaldinho deixa uma discografia extensa e uma contribuição à música brasileira marcada pela preservação do forró e pela exploração de novas possibilidades para a sanfona.

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