De Gramacho a Seropédica: como destinação de resíduos pode transformar territórios do Rio

Foto: Divulgação

Estudo da Pezco Economics para Regenera Rio estima ganho acumulado de até R$ 735 milhões em imóveis de Jardim Gramacho associado à desativação do lixão

A destinação adequada dos resíduos produz efeitos que ultrapassam os limites das instalações onde o serviço é prestado. Um estudo da Pezco Economics para a Regenera Rio sobre os efeitos econômicos, sociais e ambientais associados à operação da concessionária mostra como o encerramento de passivos ambientais pode contribuir para a recuperação e a valorização dos territórios. A análise aborda dois movimentos distintos na Região Metropolitana: a desativação do lixão de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, e a implantação do Centro de Tratamento de Resíduos (CTR-Rio), em Seropédica, que passou a receber os resíduos anteriormente encaminhados ao lixão.

No caso de Jardim Gramacho, onde funcionou um dos maiores lixões a céu aberto da América Latina, o estudo estima que a sua desativação e a reorganização territorial subsequente estiveram associadas a um ganho acumulado de valor imobiliário de R$ 718,7 milhões a R$ 735,3 milhões para aproximadamente 5,7 mil imóveis do bairro. A mudança representa uma ruptura com um modelo que, durante décadas, esteve associado a impactos ambientais e urbanos negativos no Rio de Janeiro.

A implantação do CTR-Rio, em Seropédica, a partir de 2011, integrou esse processo de transição, substituindo formas inadequadas de disposição por uma infraestrutura com controle ambiental e tratamento em escala metropolitana. Em Seropédica, o estudo não encontrou evidência robusta de desvalorização imobiliária associada ao aterro.

“Quando uma área convive durante décadas com a disposição inadequada de resíduos, os custos não aparecem apenas no orçamento do serviço. Eles se refletem na degradação ambiental, na saúde, na ocupação urbana e no valor do território. O encerramento de Jardim Gramacho mostra que enfrentar esses passivos também pode devolver valor econômico e social à população. Ao mesmo tempo, o CTR-Rio demonstra a importância de contar com infraestrutura ambientalmente adequada para atender uma região metropolitana da escala do Rio de Janeiro”, defende Maurício Batista, Diretor Presidente da Regenera Rio.

Para Gabriel Fiuza, CEO da Pezco, os casos ajudam a ampliar a discussão sobre resíduos para além da destinação final. “A valorização estimada em Jardim Gramacho não é um benefício que se repete a cada ano, mas um ganho patrimonial acumulado no território, e por isso fica fora da soma dos benefícios anuais do estudo. O resultado ajuda a tornar visível um efeito que normalmente fica fora da conta do serviço: quando um passivo ambiental é encerrado, parte do valor gerado aparece na recuperação urbana e econômica da área afetada”, conclui.

Acesse o estudo completo neste link.

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