Iniciativa criada pela artista, educadora e escritora Eliza Morenno tem o objetivo de formar novos hábitos e mediadores de leitura com diversas atividades e doações de acervos
Promover experiências de leitura que encantem, despertem o pensamento crítico e valorizem a escuta: esse é o propósito do projeto “Bibliomala nas Bibliotecas Comunitárias”, que se propõe a romper com formatos tradicionais, conduzindo o público a uma jornada de descoberta, criação e formação em mediação de leitura. No dia 24 de abril, sexta-feira, às 10h, a iniciativa chega à Casa Amarela, em Anchieta, com uma formação para mediadores de leitura e uma roda de conversa com o escritor e contador de histórias Augusto Pessôa. No dia 25, sábado, também às 10h, será a vez da Varanda Literária, em Duque de Caxias, com a participação do escritor e articulador cultural Henrique Rodrigues. Na sequência, passará por mais comunidades nas Zonas Norte, Sul, Oeste e Baixada.
Todos os encontros contam com a condução de sua idealizadora, a artista, educadora e mediadora de leitura Eliza Morenno. O projeto também prevê a doação de acervos literários, incluindo livros em Braille.
O projeto “Bibliomala nas Bibliotecas” nasce do desejo de fortalecer as bibliotecas comunitárias e é voltado para leitores e leitoras, jovens e adultos das comunidades do entorno, voluntários, agentes culturais e educadores populares. A iniciativa expande uma metodologia já testada e aprovada ao longo de cinco anos de atuação do programa Bibliomala, idealizado por Eliza Morenno, que tem mais de 15 anos de experiência nas áreas de literatura, narração oral e formação de leitores.

Bibliomala é uma metodologia de mediação artística literária que tem por objetivo apresentar livros infanto-juvenil em seus mais diversos formatos, passando pelo conceito expandido de leitura, livros ilustrados, narrativas visuais por imagens, tradições orais, entre outras linguagens. Clássicos e obras autorais de diversos escritores são apresentados ao público com uma abordagem lúdica, poética e educativa, despertando não apenas o gosto pela leitura, mas a potência transformadora da palavra.
Ao longo de sua trajetória, o projeto Bibliomala já impactou milhares de educadores, crianças, adolescentes e mediadores culturais, com passagens por escolas, festivais, bibliotecas públicas e instituições culturais, como a FLIP, a Bienal do Livro e o LER – Festival do Leitor. A proposta agora é levar essa experiência para bibliotecas comunitárias, reconhecendo o papel vital que esses espaços desempenham em regiões de vulnerabilidade social. A ação prevê formações acessíveis, práticas sensoriais e encontros com escritores, promovendo a leitura como ferramenta de cidadania, diálogo e afeto. Será a primeira vez que o projeto circulará com a chancela da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro.
“A leitura, para além do decodificar de palavras, é um gesto de pertencimento e transformação. Em territórios onde o acesso ao livro ainda é desigual e o hábito de leitura não é amplamente cultivado, as bibliotecas comunitárias se afirmam como lugares essenciais de convivência, escuta e reinvenção da cultura”, explica Eliza.

Entre os nomes confirmados para as rodas de conversa e contações de histórias estão: Lúcia Moraes Tucuju, escritora e ativista das culturas amazônicas; Sônia Travassos, contadora de histórias e pesquisadora da oralidade, e Sonia Rosa, escritora e especialista em literatura infantojuvenil negro afetiva. Todos com trajetórias marcadas pela literatura infantojuvenil e pelo compromisso com a diversidade, a oralidade e os territórios populares. Vozes que ampliam o repertório dos participantes e fortalecem os laços entre literatura e território.
“Num país em que as políticas públicas de leitura ainda são frágeis e o desmonte cultural atinge com mais força os espaços periféricos, investir na formação de mediadores e no fortalecimento das bibliotecas comunitárias é um ato urgente de resistência e reencantamento. O Bibliomala nas Bibliotecas acredita que toda leitura começa com um encontro. E é nesse encontro que mora a verdadeira transformação”, reforça Eliza.
De acordo com Eliza, a meta é contribuir para a formação de cerca de 240 novos mediadores de leitura por meio do projeto, fortalecendo as bibliotecas comunitárias como espaços de convivência, escuta e transformação social, e estimulando a valorização das tradições orais e das narrativas periféricas.
Augusto Pessôa
Augusto Pessôa é contador de histórias, ator, cenógrafo, figurinista, arte-educador, dramaturgo, roteirista e escritor, com bacharelado em Artes Cênicas pela UNI-RIO. Com mais de 50 espetáculos teatrais realizados como ator, cenógrafo e figurinista, e mais de 30 peças encenadas como dramaturgo, também possui vasta produção literária entre obras de ficção e publicações acadêmicas. Desde 1993, ministra oficinas e cursos de formação de mediadores de leitura e contadores de histórias. Foi pesquisador do GELIJ/PUC-Rio (2014–2023) e coordenador artístico do Programa Educativo do Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (2013–2017). Autor de diversos livros infantojuvenis publicados por importantes editoras, teve obras selecionadas por programas nacionais e reconhecidas em premiações do setor.

Henrique Rodrigues
Henrique Rodrigues nasceu no subúrbio carioca. Filho de empregada, trabalhou como vendedor de cachorro-quente, atendente de fast-food e balconista de videolocadora. Primeiro da família a chegar à universidade, é doutor em Letras pela PUC-Rio. Há 25 anos trabalha com projetos de incentivo à leitura e escrita. Publicou 27 livros, para adultos e crianças, alguns na Europa. É patrono das salas de leitura dos dois Cieps onde estudou.

Eliza Morenno
Eliza Morenno é escritora, atriz e arte-educadora. É cofundadora da Poesia Viral Produções e da Verso Livre Soluções Culturais. Possui Bacharel em Comunicação Social (FACHA), Teatro (ETE Martins Penna) e especialização em literatura infanto-juvenil pela UFRJ. Foi pesquisadora do grupo de estudos da Cátedra UNESCO de leitura (PUC Rio), colaborando como jurada no prêmio Cátedra 10. Em 2017, recebeu da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro os prêmios Cultura+Diversidade e Arte Escola pelos projetos Aldeia de Histórias e Conta Cordel. Em 2021, recebeu novamente o prêmio Arte Escola, dessa vez para o projeto Bibliomala. Como produtora executiva, realizou importantes projetos patrocinados pelo Fomento à cultura carioca tais como: Circuito Carioca de Saraus, Grandes Poetas Brasileiros, Aldeia de Histórias, Bibliomala, Encontro Carioca de Contação de Histórias, entre outros. A convite do SESC Rio, realizou o sarau Poesia Viral convida no SESC Copacabana, ocupações literárias em Vassouras, Rio das Ostras, Niterói e Nova Friburgo. Como contadora de Histórias e mediadora de leitura, já participou de dezenas de projetos em parceria com Instituto de Arte Tear, entre eles: Pé de Livro, Rotas & Redes Literárias, Trilhas Literárias e Tecelares da Leitura. É curadora permanente do Serão da Grande Lua. Dirigiu os espetáculos “O poeta mostra a língua” e “Conta Cordel”. Possui quinze anos de formação e experiência em artes cênicas e arte-educação. Em 2018, foi convidada pelo Festival Internacional de Contadores de Histórias da Colômbia para representar o Brasil no BugaHistórias. É professora especialista em literatura infanto-juvenil no Colégio São Paulo. Possui cinco livros publicados.
Programação da semana:
Dia 24 de abril, sexta-feira, às 10h
Local: Casa Amarela – Rua Padre Mário Versé, 11 – Anchieta, Rio de Janeiro – RJ
Autor convidado: Augusto Pessôa
Evento aberto ao público (sujeito a lotação)
Classificação: 13 anos
Dia 25 de abril, sábado, às 10h
Local: Biblioteca Varanda Literária – R. José Fichiman, 655 – Saracuruna, Duque de Caxias – RJ
Autor convidado: Henrique Rodrigues
Evento aberto ao público (sujeito a lotação)
Classificação: 13 anos
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